Durante o mês de setembro, a mestranda Gabe Bolzan, do Programa de Pós-Graduação em Evolução Crustal e Recursos Naturais da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP) e integrante do núcleo Terrantar, participou como palestrante da XII Semana de Geologia do Espírito Santo / XIV Semana de Estudos Geológicos da Universidade Federal do Espírito Santo, realizada na cidade de Alegre–ES.
Em sua palestra, Gabe abordou a temática “Inverno Vulcânico: Um Breve Histórico Durante o Quaternário”, conteúdo no qual se aprofundou ao longo de sua graduação em Geologia. Assim, durante a apresentação, foram discutidos a definição de vulcanismo e seus tipos eruptivos, classificados de acordo com o Índice de Explosividade Vulcânica (IEV), além da explicação de como esse índice foi proposto e qual sua finalidade. A partir de registros históricos, artísticos e fotográficos, também foi apresentado um levantamento das principais erupções do Quaternário responsáveis por episódios de inverno vulcânico.
Para além da palestra, a pesquisadora participou da mesa-redonda “Territórios em Transformação: Desafios na Equidade, Diversidade e Representatividade na Geociência”, na qual foram discutidos o significado de pertencer à geociência, como a chamada “Geologia 4.0” precisa ser construída sem repetir as exclusões do passado, o papel dos aliados, a negociação da autenticidade e como nossas vivências individuais podem provocar mudanças estruturais reais.
Sobre a oportunidade de contribuir para o evento, Gabe compartilhou um forte relato:
“Foi impossível não me reconhecer em cada uma dessas provocações. Sou a PRIMEIRA mulher trans na graduação em Geologia da UFES e, agora, na Pós-Graduação em Evolução Crustal e Recursos Naturais da UFOP. Logo, ocupar esse território é também ressignificá-lo. É transformar espaços que historicamente foram negados em espaços de existência, produção e resistência. Estar ali, compartilhando minha trajetória, ouvindo outras narrativas e refletindo sobre os caminhos que ainda precisamos construir só me confirmou que a diversidade não é apenas uma pauta ética — é uma condição para a inovação, a sustentabilidade e o avanço científico.”