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Pesquisadores do Núcleo Terrantar iniciam o ano em acampamento aos 62 graus na latitude Sul! Veja mais informações sobre as primeiras atividades do Terrantar na OPERANTAR XLIV

Marcando presença em mais um verão austral, pesquisadores do Núcleo Terrantar participam de acampamento realizado em Cape Shirreff, Ilha Livingston

Publicado em 18 de January de 2026 por Equipe terrantar
Pesquisadores do Núcleo Terrantar iniciam o ano em acampamento aos 62 graus na latitude Sul! Veja mais informações sobre as primeiras atividades do Terrantar na OPERANTAR XLIV

Nos limites da costa Norte da Ilha Livingston, Antártica Marítima, existe uma área livre de gelo reconhecida como um dos oásis da biodiversidade antártica por ser um refúgio para pinguins, focas e lobos-marinhos-antárticos. Cape Shirreff, uma Área Especialmente Protegida sob o Tratado da Antártica (ASPA No. 149), abriga uma ampla diversidade de espécies de fauna que, em consequência, influenciam na formação do solo local.

É nesse cenário que, como parte das atividades programadas para a 44° Operação Antártica (OPERANTAR XLIV), o Núcleo Terrantar, por meio dos pesquisadores prof. Carlos Schaefer (UFV-UFRJ), Pamela Cazaroto (USP) e Jorge Velloso (UNIPAMPA), participam do acampamento estabelecido em Cape Shirreff e realizam atividades de coleta no local.

Imagem aérea registrada em Cape Shirreff, Ilha Livingston, Antártica Marítima
Imagem aérea registrada em Cape Shirreff, Ilha Livingston, Antártica Marítima

Estudos como o de Ramírez-Fernández et al. (2019) já mostraram que a intensa presença da fauna altera a química e a microbiologia dos solos de Cape Shirreff. Mas essas observações levantam outra pergunta: como esses solos se desenvolveram ao longo do tempo?

Para compreender mais sobre esse processo, a doutoranda Pamela Cazaroto e o prof. Carlos Schaefer irão realizar coletas focadas na geocronologia dos solos de Cape Shirreff, com ênfase na gênese de solos com padrões, feições características de ambientes periglaciais antárticos, onde ocorrem ciclos intensos de congelamento e descongelamento da camada ativa do permafrost (solo permanentemente congelado).

Além das atividades de campo relacionadas ao estudo dos solos, o doutor Jorge Velloso irá realizar observações e coletas focadas na ecologia e biogeografia de macrofungos, líquens e mixomicetos, conduzindo levantamentos fitossociológicos no local. Vale ressaltar que, assim como outras áreas livres de gelo da Antártica Marítima, Cape Shirreff tem apresentado um crescente aumento na cobertura vegetal nos últimos 40 anos, como observado por Roland et al. (2024) no trabalho “Sustained greening of the Antarctic Peninsula observed from satellites”. Nesse sentido, levantamentos como esse são importantes para uma descrição mais detalhada da composição, estrutura e dinâmica das comunidades vegetais, além de permitir a compreensão das interações entre espécies, solo e clima.

Exemplar de fungo basidiomiceto Arrhenia antarctica encontrado nas imediações de Cape Shirreff, Ilha Livingston, Antártica Marítima
Exemplar de fungo basidiomiceto Arrhenia antarctica encontrado nas imediações de Cape Shirreff, Ilha Livingston, Antártica Marítima

Esperamos anunciar em breve os resultados das atividades em Cape Shirreff, onde a paisagem funciona como um laboratório a céu aberto, e estamos felizes em contribuir para novas pesquisas no âmbito do Programa Antártico Brasileiro (PROANTAR).

Referências

RAMÍREZ-FERNÁNDEZ, L. et al. Seabird and pinniped shape soil bacterial communities of their settlements in Cape Shirreff, Antarctica. PLOS ONE, v. 14, n. 1, p. e0209887, 9 jan. 2019.

ROLAND, T. P. et al. Sustained greening of the Antarctic Peninsula observed from satellites. Nature Geoscience, v. 17, 4 out. 2024.