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Conquista inédita marca importante etapa na trajetória de pesquisadora e professora do Terrantar

Pesquisadora Caroline Delpupo é contemplada com Bolsa de Produtividade em Pesquisa do CNPq e compartilha reflexões sobre a importância da representatividade na ciência.

Publicado em 07 de June de 2026 por Isabelle
Conquista inédita marca importante etapa na trajetória de pesquisadora e professora do Terrantar

O Núcleo Terrantar ganhou um novo capítulo de pioneirismo e representatividade com a conquista da geógrafa e Prof. Dra. Caroline Delpupo, recentemente contemplada com a prestigiada Bolsa de Produtividade em Pesquisa do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). O reconhecimento estabelece também um marco inédito e histórico para a instituição de ensino onde ela leciona, o Instituto Federal de Minas Gerais (IFMG) em Ouro Preto. Em entrevista realizada com a pesquisadora, ela conta que recebeu a notícia diretamente da Irlanda, onde atualmente desenvolve seu estágio pós-doutoral, encarando o feito como a materialização de uma das melhores fases de sua vida e um passo fundamental rumo à sua maturidade profissional. Vale ressaltar que no Núcleo Terrantar, a trajetória da prof. Caroline também foi marcada pelo pioneirismo, sendo a primeira mulher em uma expedição na região continental da Antártica. E foi justamente a paixão pela dimensão abiótica do planeta que a levou a escolher a ciência do solo, como área de atuação dentro da Geografia. Para ela, analisar o mundo sob essa lente é um grande privilégio, pois o solo não apenas revela processos atuais e pretéritos da superfície terrestre, mas também se mostra uma ferramenta generosa para o ensino e para a alfabetização científica dos mais jovens sobre a complexidade do planeta. Atualmente, Caroline divide suas pesquisas em duas grandes frentes: aos estudos de solos em ambientes frios da Antártica e do Ártico, que marcaram sua formação desde a graduação, e a investigação da mineralogia dos solos de Minas Gerais. Para o futuro, suas projeções envolvem estreitar ainda mais os laços científicos com o Terrantar e aprofundar os trabalhos com os solos e paisagens do Quadrilátero Ferrífero, especialmente na região de Ouro Preto.

Conquista inédita marca importante etapa na trajetória de pesquisadora e professora do Terrantar.
Professora Doutora Caroline Delpupo em sua expedição ao continente antártico

Com o pioneirismo, esse resultado também joga luz sobre as disparidades de gênero na academia brasileira. Embora as mulheres sejam maioria na graduação e na pós-graduação, elas ainda representam a minoria nas bolsas de produtividade e nos cargos de autoridade. A prof. Caroline aponta que essa realidade cruel decorre de problemas estruturais que antes sequer eram debatidos e frequentemente enfrentavam desdém. Vinda de uma realidade de restrições financeiras, ela destaca que a falta de representatividade feminina funciona como uma barreira invisível que sabota o direito de sonhar de grupos sub-representados. Ao longo de sua carreira, enfrentou componentes árduos como assédio, descrença e invisibilidade, violências que, segundo ela, não são restritas ao ambiente acadêmico e que toda mulher acaba vivenciando ao longo da vida. Sua permanência na ciência se deve à insistência e ao acolhimento de pessoas que lhe deram oportunidades, e ela defende que a transformação dessas estruturas deve ser uma pauta abraçada concretamente também pelos homens, sobretudo pelas novas gerações. Ao ser perguntada sobre os conselhos que daria à ela mesma quando estava no início da jornada acadêmica, a pesquisadora enfatiza que: “não buscaria provar o tempo todo que merecia estar ali, pois as oportunidades eram frutos de método, trabalho e coragem, e não um mero acaso”. Ela recomenda também não levar a vida acadêmica de forma tão severa, já que o meio tende a convencer as pessoas de que tudo é urgente, definitivo e pessoal. Por fim, aconselha as jovens cientistas a buscarem redes de respeito real, aprenderem a dizer não ao que desgasta sem fortalecer e a documentarem rigorosamente todas as suas conquistas para garantir proteção e autonomia. O recado final reforça o papel da coletividade, lembrando que, sempre que houver oportunidade, é preciso puxar outras mulheres junto, pois abrir caminhos transforma não apenas a vida individual, mas o futuro de todo o grupo. O Núcleo Terrantar parabeniza a conquista da professora e pesquisadora e celebra o papel de pioneirismo e luta pela equidade de gênero que ela tem estabelecido ao longo de sua carreira. Desejamos também que histórias como essa não se tornem exceção no meio acadêmico.