Terrantar visita o laboratório LAM+, da UFF, e avalia novas técnicas para o estudo de solos antárticos
Visita ao laboratório coordenado pela professora Ana Luiza S. Albuquerque avaliou o uso de imageamento e de caracterização geoquímica, mineralógica e microscópica em amostras de solos da Antártica.
O pós-doutorando Jônatas Pedro da Silva, do Departamento de Solos da Universidade Federal de Viçosa (UFV) e do Núcleo Terrantar, participou de uma visita técnico-científica ao Laboratório de Análise Multiespectral e Inteligência Artificial para Sedimentos (LAM+), coordenado pela professora Ana Luiza S. Albuquerque, no Instituto de Geociências da Universidade Federal Fluminense (UFF), campus da Praia Vermelha, em Niterói (RJ). O objetivo foi conhecer a infraestrutura analítica do laboratório, avaliar o uso dessas técnicas na pesquisa em solos e discutir colaborações, com ênfase em amostras da Antártica.
Jônatas foi indicado pelo professor Thiago Torres Costa Pereira, supervisor da atividade, como representante do projeto "Dinâmica da pedosfera: permafrost, geotecnologias e mudanças climáticas". A visita foi acompanhada pelo pesquisador visitante Libério Silva e pelo doutorando Mateus Andrade Rodrigues. O técnico de laboratório Leandro Candeia e o bolsista técnico Bernardo Nunes apresentaram os equipamentos.
Os equipamentos do LAM+
O LAM+ combina imageamento multiespectral, análise geoquímica, microscopia e inteligência artificial para investigar materiais geológicos e sedimentos em alta resolução. A infraestrutura tem apoio da Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (FAPERJ).
Na visita foram apresentados três equipamentos de interesse para pesquisas futuras com solos antárticos: o scanner de fluorescência de raios X (XRF), o sistema de imageamento hiperespectral (HSI) e o microscópio eletrônico de varredura (MEV).
Fluorescência de raios X
O XRF identifica elementos químicos e estima sua abundância pela resposta à incidência de raios X. Em solos antárticos, pode ajudar a caracterizar a composição elementar, comparar horizontes e investigar intemperismo e alteração mineral.
Imageamento hiperespectral
O HSI registra imagens em muitas bandas espectrais e gera uma assinatura espectral para cada pixel. Nos solos antárticos, tem potencial para mapear a distribuição de componentes minerais e padrões ligados à matéria orgânica e aos materiais de origem, desde que as interpretações sejam validadas por análises complementares.
Microscopia eletrônica de varredura
O MEV produz imagens de alta resolução da morfologia das partículas minerais, das superfícies de alteração e das relações entre os constituintes do solo. Associado à espectroscopia por dispersão de energia (EDS), também informa a composição elementar de regiões específicas. Para os solos antárticos, complementa os resultados de XRF e HSI.
Perspectivas para os solos antárticos
Nas frações minerais, as ferramentas ajudam a caracterizar fases minerais e padrões de alteração dos materiais de origem; na matéria orgânica, a explorar sua distribuição e sua relação com a matriz mineral, desde que os sinais sejam validados por métodos específicos.
Isso interessa aos ambientes antárticos, onde as baixas temperaturas, a pouca água líquida e os ciclos de congelamento e descongelamento condicionam a dinâmica dos solos. No futuro, dados espectrais calibrados com análises de referência poderão alimentar modelos computacionais e ferramentas de inteligência artificial para estimar propriedades dos materiais.
Cooperação entre as equipes
A visita abriu um diálogo sobre o uso dessas tecnologias nas pesquisas do Terrantar e sobre colaborações entre os grupos.


