62°05′S 58°23′W · Península Keller
Pesquisa nas áreas livres de gelo
O Terrantar estuda solos, permafrost e vida nas áreas livres de gelo da Antártica, e também nos Andes e no Ártico. São 18 áreas de pesquisa, reunidas em quatro eixos.
Como estudamos o solo
Permafrost é o solo que fica congelado o ano todo. Acima dele fica a camada ativa, que descongela no verão e volta a congelar no inverno. É nela que a vegetação, os microrganismos e o carbono do solo respondem ao clima.
Em cada sítio da rede, sensores enterrados em profundidades fixas medem a temperatura e a umidade do solo de hora em hora e mandam os dados por satélite. No sítio do norte da Islândia, a temperatura do solo é medida a 10, 30, 50 e 100 cm (notícia de outubro de 2026).
“Se ocorre aquecimento, o permafrost se aprofunda e se ocorre resfriamento ele chega mais próximo da superfície. Isso o torna um eficiente sensor das variações do clima.”
- Descongelado
- Congelado
- Frente de degelo (0 °C)
- Topo do permafrost
Solo, clima e permafrost
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Monitoramento do permafrost e mudanças climáticas
O Terrantar mantém a maior rede de monitoramento da temperatura e da umidade do permafrost e da camada ativa na Antártica Marítima, Peninsular e Continental, nos Andes, nas Ilhas Falkland e no Ártico. A rede acompanha os efeitos do aquecimento global sobre o descongelamento do permafrost e suas consequências ecológicas e ambientais. A rede tem séries temporais de quase 20 anos e, recentemente, passou a medir também o CO₂ do solo.
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Intemperismo e processos pedogenéticos
O projeto armazena mais de 3 mil amostras de solos antárticos, andinos, das Ilhas Falkland e da Groenlândia, com suas análises físico-químicas. Para estudar a pedogênese e o intemperismo, a equipe faz também análises mineralógicas e de micromorfologia. As amostras provêm de estudos sobre gênese e evolução dos solos em ambientes frios, com foco nos processos, relações solo-paisagem e efeitos das mudanças ambientais em escala local e regional.
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Geoquímica do solo e água
O projeto investiga a geoquímica dos solos e dos corpos hídricos para entender a dinâmica e a mobilidade dos elementos químicos, incluindo metais pesados e terras raras, e avaliar processos como adsorção, lixiviação e intemperismo. Os estudos consideram fatores como geologia, influência ornitogênica e fontes antrópicas, com foco na possível contaminação das áreas próximas às estações científicas da Antártica.
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Estoque de carbono e gases de efeito estufa
O Terrantar quantifica o estoque de carbono do solo e estuda a composição da matéria orgânica e as taxas de respiração microbiana, com atenção especial à emissão de CO₂, CH₄ e N₂O, uma das principais respostas do solo ao descongelamento do permafrost. Também compara o papel dos solos árticos e antárticos na dinâmica do carbono sob as mudanças climáticas, com projeções do estoque de carbono do solo.
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Microplásticos nos ecossistemas antárticos
O Terrantar investiga a contaminação por microplásticos nos ambientes terrestres da Antártica: a concentração nos setores costeiros das áreas livres de gelo e os efeitos sobre as propriedades físico-químicas dos solos. As possíveis fontes incluem atividades humanas e transporte atmosférico.
Vida no solo
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Relação solo-vegetação
O Terrantar investiga como atributos físico-químicos do solo influenciam a distribuição e a composição da vegetação criptogâmica (sobretudo musgos e líquens) na Antártica, considerando fatores como aporte biológico, umidade, salinidade e acidez. Os dados servem a modelos preditivos para ambientes periglaciais.
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Ecologia e fitossociologia vegetal
Com métodos fitossociológicos, a equipe estuda a diversidade e a composição das comunidades vegetais nas áreas livres de gelo: espécies dominantes, frequência e cobertura dos grupamentos florísticos e os processos ecológicos relacionados. As comunidades também são mapeadas, o que permite identificar zonas ecologicamente sensíveis e mudanças ao longo do tempo.
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Microbiologia do solo
A equipe estuda a microbiota do solo nas áreas livres de gelo da Antártica, sobretudo nas zonas de recuo glacial recente, e avalia como as comunidades microbianas se estruturam em solos de idades diferentes. Com análises moleculares e físico-químicas, estuda a sucessão microbiana e os fatores ambientais que moldam essa biodiversidade.
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Conexões fauna-solo
O Terrantar investiga a influência da fauna marinha, com destaque para pinguins, na formação de solos ornitogênicos. Os estudos são conduzidos em pinguineiras ativas e abandonadas, com foco nas alterações resultantes da deposição de guano. A equipe também avalia o efeito de outras aves e de mamíferos marinhos na ciclagem biogeoquímica e na fertilização dos ecossistemas costeiros polares e subpolares.
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Taxonomia e ecologia de fungos polares
O Terrantar colabora com pesquisas em micologia: taxonomia e identificação de novas espécies de fungos na Antártica, a partir de análises morfológicas e filogenéticas. Também investiga o efeito das mudanças climáticas sobre a distribuição dos fungos no continente antártico, bem como possíveis aplicações biotecnológicas destes organismos.
Paisagem e tempo
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Geomorfologia periglacial
A equipe faz o mapeamento geomorfológico dos ambientes periglaciais de grandes latitudes e altitudes, com ênfase na relação entre solos e feições do relevo. Os estudos combinam trabalho de campo com sensoriamento remoto, geoprocessamento, levantamentos com laser scanner e fotogrametria de alta resolução, para entender os processos morfodinâmicos das áreas livres de gelo.
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Geocronologia e evolução da paisagem
O Terrantar investiga a evolução da paisagem polar por meio de estudos geocronológicos e pedológicos em ambientes periglaciais. Com base em datações radiométricas e análises de solos antigos, identifica sinais de acumulação de matéria orgânica e formação pedológica anteriores ao último máximo glacial. Esses registros servem para reconstruir o paleoambiente e as transformações do solo ao longo dos últimos milhares de anos.
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Geofísica aplicada à pedologia
O Terrantar usa em campo sensores não destrutivos e de aplicação rápida, como suscetibilímetros, gama espectrorradiômetros, georradar e resistivímetros. Esses instrumentos são alternativas às medições convencionais, fornecem dados sobre as propriedades físicas do solo e ajudam a caracterizar a pedogênese, a estrutura interna do solo e as influências litológicas nos ambientes extremos estudados pelo projeto.
Geotecnologias
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Mapeamento Digital de Solos
O Terrantar classifica e mapeia os solos da Antártica combinando trabalho de campo e imagens de satélite, para caracterizar a cobertura pedológica das áreas livres de gelo e seus ecossistemas. Mais recentemente, passou a usar aprendizado de máquina e modelagem estatística, no âmbito do Mapeamento Digital de Solos, para a predição espacial e para mapas mais precisos de classes e atributos do solo.
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Levantamentos com drone
Com drones, o Terrantar já imageou em alta resolução mais de 6 mil ha na Antártica Marítima e Peninsular. Além de câmeras RGB, a equipe usa sensores termais e de infravermelho próximo para acompanhar mudanças na cobertura vegetal e em outras superfícies das áreas livres de gelo, como campos de neve e lagos.
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Sensoriamento remoto e monitoramento ambiental
O Terrantar usa imagens de satélite e de radar, com classificação automática, para avaliar o recuo das geleiras na Antártica e nos Andes. Nas áreas deglaciadas, avalia o potencial de formação e evolução de solos, a expansão e a colonização da vegetação e as transformações geomórficas ligadas ao recuo das geleiras e à exposição de novas superfícies.
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Espectroscopia de reflectância
O Terrantar usa a espectrorradiometria para caracterizar os solos antárticos e montar uma biblioteca espectral de Criossolos e de outros solos típicos da Antártica. O objetivo é usar a resposta espectral para prever atributos físicos e químicos do solo, como alternativa às análises de laboratório. A equipe prevê levar a abordagem a outras regiões do projeto.
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Levantamentos topográficos
O Terrantar faz levantamentos topográficos de alta resolução em áreas livres de gelo, com LiDAR terrestre e aerotransportado. Os dados permitem acompanhar mudanças geomórficas e o recuo de geleiras e campos de neve, além de avaliar estruturas naturais e antrópicas. O projeto tem um modelo topográfico detalhado de toda a Península Keller.
Onde ficam os sítios
A maior parte do trabalho de campo acontece nas Shetland do Sul e na ponta da Península Antártica. Na Antártica continental, o núcleo mantém três sítios de monitoramento do permafrost: Maitri, Larsemann Hills e Bunger Hills. A rede também tem sítios nos Andes e no Ártico.
Antártica continental
Voltar às Shetland do Sul- Estação Antártica Comandante Ferraz
- Sítio de campo
- Área livre de gelo
Posições aproximadas. Nas Shetland do Sul e na Península, cada ponto marca o centro da península ou da ilha, exceto a Estação Ferraz. Na Antártica continental, os pontos são as coordenadas dos relatórios de instalação.
Cartografia: SCAR Antarctic Digital Database e IBCSO v2, CC BY 4.0.
Ilha Rei George, Shetland do Sul
Ilha Nelson, Shetland do Sul
Ilha Robert, Shetland do Sul
Shetland do Sul
Ilha Livingston, Shetland do Sul
Ponta da Península Antártica
Mar de Weddell, Península Antártica
Antártica continental
Sítios de monitoramento do permafrost instalados em dezembro de 2024 e janeiro de 2025, na circum-navegação costeira da Antártica.
- Maitri, Oásis Schirmacher70°46′S 11°46′E · instalado em 10/12/2024, a 125 mTemperatura do solo a 30, 110 e 160 cm, umidade a 30 cm, temperatura do ar a 184 cm e sensor de CO₂
- Larsemann Hills69°24′S 76°07′E · instalado em 19/01/2025, a 82 mTemperatura do solo a 30, 60 e 90 cm, umidade a 30 cm, CO₂ a 20 cm e temperatura do ar a 140 cm
- Bunger Hills66°03′S 100°42′E · instalado em 25/12/2024, a 217 mTemperatura do solo a 25 e 120 cm, umidade a 45 cm, CO₂ a 10 cm e temperatura do ar a 140 cm
Fora deste mapa
- Heritage Range, Montes EllsworthAntártica Ocidental (interior) · 79°45′S 83°00′W
- Módulo Criosfera 1 (INCT)Interior antártico · 84°00′S 79°30′W
- Ilhas Falkland (Malvinas)Subantártico · 51°44′S 59°13′W
- Torres del PainePatagônia, Chile · 51°00′S 73°00′W
- Nevado AusangateAndes, Peru · 13°47′S 71°14′W
- Cordilheira ApolobambaAndes, Peru e Bolívia · 14°39′S 69°14′W
- Huaraz (UNASAM, Cordilheira Branca)Andes, Peru · 9°32′S 77°32′W
- Andes equatorianos (Chimborazo)Equador · 1°28′S 78°49′W
- IgalikuSul da Groenlândia · 60°59′N 45°25′W
- Kangerlussuaq (Geleira Russell)Oeste da Groenlândia · 67°01′N 50°41′W
- Norte da Islândia (sítio a 700 m)Islândia
- Klyuchi, KamchatkaRússia · 56°19′N 160°50′E
- Sede: Departamento de Solos, UFVViçosa, MG, Brasil · 20°45′S 42°52′W
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